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A conquista do Reino

Vivemos imersos num mundo com todos os tipos ruídos. Há o bombardeio constante de informações, muitas vezes, acima da capacidade de assimilação de nosso cérebro.

Existem ainda as preocupações diversas com as responsabilidades, tarefas e encargos comuns ao dia-a-dia: família, trabalho, carreira, estudos…

O tempo para o sagrado cada vez mais relegado para “quando tiver tempo…”. O indivíduo sedentário não é mais apenas aquele que não faz nenhuma atividade física ou mental, mas também, espiritual. É preciso reconectar-se com o Universo, onde reside a nossa Imortalidade, aquela que se encontra no plano da Alma, atributo divino.

E quanto mais nos envolvemos com uma realidade aparente, mais nos afastamos da realidade verdadeira. Os rosacruzes distinguem realidade de atualidade, esta última, a expressão da consciência consciente de si mesma e do universo que a rodeia.

Enquanto isso, vivemos a realidade dos sentidos que, de fato, é uma realidade convencionada, repleta de representações. E quanto mais imerge neste poço de ruídos, menos escuta a voz interior que o liga à totalidade da Unidade.

O ser torna-se único através de sua consciência, e não por meio das representações simbólicas de pertencimento e convenções sociais de diversos tipos e matizes.

O ser evolui, conecta-se com a sua própria imortalidade quando, partindo dos sentidos, transcendendo-os, indo além até a auto-consciência, que é tanto interior como exterior, pois abarca tudo à sua volta. A busca do iniciado surge a partir do desejo ou do inconformismo, como descrevi neste artigo sobre a visão do neófito.

O Quadrante do Despertar é tipicamente uma prática árabe e, possivelmente, sufi, trazida para o Ocidente pelos Templários. É encontrada em diversas correntes iniciáticas com o propósito de despertar a consciência para padrões mais sutis e elevados. Não tem nenhuma contraindicação, uma vez que depende exclusivamente do seu desejo e empenho em alcançar a comunhão com a supraconsciência.

A primeira prática é a mãe das demais e por isso, deve ser dominada antes de seguir adiante. Em outras palavras, o sucesso das práticas seguintes depende do êxito desta primeira. Trata-se de uma prática na medida em que deve ser praticada diariamente, três vezes ao dia.

O domínio desta prática permite a conquista do Reino ou Sephira Malkuth, da Árvore da Vida. Se ela não estiver devidamente alicerçada, o iniciado não conseguirá chegar a lugar nenhum na Senda escolhida.

PRÁTICA DA DIVISÃO DA CONSCIÊNCIA

Inicialmente, escolha uma posição confortável, pode ser em pé ou sentado. Depois de cerca de três meses, terá de realizar esta prática em movimento. Com o tempo, você terá de conseguir realizá-la a qualquer momento de suas atividades cotidianas, em qualquer lugar em que estiver.

Durante os primeiros três meses, procure realizar esta prática em horários fixos e determinados, numa posição que não estimule o relaxamento e o sono. Pratique por cerca de dez minutos de cada vez. Com o passar do tempo, você conseguirá dividir a consciência sempre que tiver vontade ou que a ideia lhe venha à mente.

Tome consciência de seu próprio corpo, de sua postura, da ponta dos pés ao alto da cabeça. Quando tiver conseguido, tome simultaneamente consciência da sensação no interior da mão esquerda. Vamos chamá-la de referência. A sua consciência está agora dividida em dois: postura e referência.

Acrescente a consciência da respiração. A sua consciência está agora dividida em três: postura, referência e respiração. É neste ponto que começa realmente a prática da Divisão da Consciência. Esta é uma etapa bastante difícil, pois os pensamentos tendem a interferir e diluir a atenção de sua consciência. Não se preocupe, retome calmamente às suas percepções, começando sempre pela referência.

De fato, o trabalho começa neste momento, isto é, quando a consciência está dividida em três. Persistência e constância são importantes nesta etapa, pois se os seus pensamentos o distraírem por mil vezes, retome mil e uma vezes, até dominar esta prática completamente.

Chegará um momento em que você conseguirá dividir a consciência automaticamente (ou inconscientemente). Você notará que o seu corpo sente menos fadiga das atividades diárias, a sua visão se torna mais cristalina, a sua lógica e raciocínio são mais lúcidos, há uma maior percepção da vida e de suas consequências, bem como, uma maior energia e vitalidade geral.

Neste ponto, você poderá dividir a sua consciência em quatro: postura, referência, respiração e muro da visão. O muro da visão consiste em uma visão desfocada do que há ao seu redor, sem fixar o olhar em nada em particular, sem se ficar em nenhuma imagem.

O muro da visão é percebido como ocorrendo interior da cabeça e não em um exterior qualquer. E por isso, esta parte da prática conduz muitas vezes a experiências sensoriais consideradas estranhas, como se a cabeça não fizesse parte de fato de seu próprio corpo. Então será preciso reconduzir o centro de gravidade de suas percepções novamente para o interior de sua cabeça.

Depois de praticar longamente a divisão da consciência em quatro, podemos passar a divisão da consciência em cinco, acrescentando a onda sonora. Da mesma forma como foi feito com o muro da visão, deverá tomar consciência do som em geral em não em particular. Tente se deixar penetrar pelo som sem tentar identificá-lo. Esta é uma etapa de grande dificuldade, mas você já estará tendo êxito se conseguir cessar o diálogo interior. Com o tempo, perceberá que até é possível dividir a consciência em cinco e, mais tarde, notará que é relativamente fácil: basta praticar. A expectativa é que o êxito seja alcançado depois de um ano de prática constante e regular.

Alguns iniciados levam a divisão da consciência até sete, acrescentando o olfato e o paladar.

A divisão da consciência é sempre acompanhada por um acréscimo da consciência. Por isso, poderá se desafiar caminhando no escuro ou por locais que desconheça. Ou ainda, à medida que ganhar confiança, notará que o campo de sua consciência se ampliou de tal maneira que poderá até desafiar as restrições físicas, como um obstáculo ou parede.

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