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A experiência mística, sob a visão de Paulo

O Cristianismo não começou como uma religião estruturada. Entretanto, Jesus deixa bem claro que não veio para mudar a Lei de Moisés, mas sim, para ampliar a sua compreensão. Paulo é igualmente considerado apóstolo, sem exatamente ter sido discípulo de Jesus. Ele teve uma visão na estrada para Damasco. Esta visão é considerada uma experiência extática, ficou cego por três dias, como também, sem comer nem beber, sendo posteriormente curado por Ananias (Atos 9:1-19). E assim se inicia a missão daquele que se tornou um dos pilares da teologia cristã, especialmente entre os protestantes.

Suas epístolas inclusive antecedem aos evangelhos em algumas décadas. E Paulo deixa claro que apesar de não ter havido nenhum contato físico, considera-se apóstolo de Jesus pela vontade de Deus (Cl 1:1), através de uma revelação. Saulo/Paulo era judeu e entre eles, experiências místicas que se manifestavam através de revelações era relativamente frequentes. Os profetas tinha revelações em maior ou menor grau. Entretanto, como a de Paulo, resultando num êxtase pelo contato direto com Deus, não há tantas. Mas as que são mencionadas são suficientemente fortes a ponto de se tornarem pontos de partida para novos grupos religiosos. Este é o caso especialmente de Enoch e de Ezequiel, que deram origem à mística da Mercavah.

É muito provável que Paulo fizesse parte de um destes grupos e estivesse familiarizado com essas experiências, pois quando descreve suas experiências ou a fonte de sua autoridade, costuma empregar uma linguagem muito próxima daquela empregada por aqueles grupos. Até mesmo quando critica a Moisés, que também teve uma experiência direta com Deus através da sarça ardente.

A principal diferença, portanto, entre a teologia de Paulo e a dos apóstolos diretos de Jesus, é a natureza da experiência religiosa. A de Paulo torna-se acessível ao gentio, enquanto a dos apóstolos permanece ainda muito ligada à religião judaica e os preceitos da lei mosaica.

É muito provável, embora não esteja evidente, que Paulo tenha tido várias experiências extáticas ao longo de sua vida, embora descreva apenas a primeira. Do contrário, não teria como manter um conjunto de ensinamentos práticos e místicos tão coerente e relativamente coesos para todas as comunidades com as quais manteve contato. Há um forte sentido de unidade em suas epístolas e apenas um indivíduo movido por uma fé transcendente poderia manter acesa a chama da conversão e da fé em Jesus por tanto tempo e com tanta intensidade.

Paulo é um lembrete que a religião não é apenas um conjunto de dogmas e ritos, mas também (e talvez muito mais) a busca da experiência da comunhão com os planos divinos através da revelação. O caminho é bastante simples: é do da pureza, aquele de despir-se de si mesmo.

Referência: O Misticismo Apocalíptico do Apóstolo Paulo, de Jonas Machado, Editora Paulus.

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