Arquivos de tags: Papus

Sobre o Martinismo

louis_10É possível definir o que é Martinismo em poucas palavras? Sim, é. Porém, se o estudante fizer uma pesquisa na Internet, irá se deparar com várias organizações que adotam nomes semelhantes, cada uma com sua proposta, mais ou menos milagrosa. Afinal, tudo é marketing.

Os ensinamentos encontrados nas várias ordens que se denominam “martinistas” (muitas delas, autênticas) são diversos entre si. Para o estudante desavisado, isso pode parecer falta de coerência.

A verdade é que Saint-Martin não fundou uma Ordem. Com a partida de seu grande mentor, Martinez de Pasqually, para o Haiti, Saint-Martin desenvolveu uma maneira mais intimista de diálogo com divino, destituído de rituais complexos, com os quais não se afinava.

Como era uma pessoa reclusa, é natural que tenha buscado um caminho interior de reconciliação com o ser divino. Saint-Martin herdou de Pasqually a ênfase na necessidade da regeneração, do arrependimento, da purificação, discordando apenas dos métodos empregados.

Porém, o grande salto em seu pensamento filosófico se deu quando tomou conhecimento dos escritos de Jacob Boehme. O amálgama entre os ensinamentos de Pasqually, de sua própria visão de reconciliação (via interior ou via cardíaca) com as visões místicas de Boehme resultou nas suas melhores obras.: Ecce Homo, Homem de Desejo, O Novo Homem e Ministério do Homem Espírito. Em conjunto, tratam das quatro etapas necessárias para que o Homem volte a ocupar o seu lugar no plano da Criação. Juntos, estes livros contemplam um roteiro completo: “Purificai-vos, pedi, recebei e agi.

Foram Papus e Chabouseau quem, de fato, deram ao Martinismo a estrutura que hoje a norteia. Seus ensinamentos foram também organizados por ambos. Papus, por sinal não recebeu nenhum material informativo ou instrução, mas como estudioso que era, é provável que tenha compilado ensinamentos de diversas fontes, inclusive não originais. E é a partir do início do século XX que surgiram a maior parte das organizações martinistas. H. S. Lewis foi iniciado em duas organizações. Trouxe a R+C para os EUA e, com ela, também algumas das organizações nas quais se iniciara, uma delas a TOM. Talvez justamente por isso é que os manuscritos desta organização sejam os mais próximos dos originais de Papus e Chabouseau. As demais organizações que permaneceram na Europa tiveram os seus manuscritos destruídos ao longos das duas guerras que devastaram o continente.

De que tratam estes ensinamentos? A proposta original de Saint-Martin aproxima-se muito da Gnose. Mas, no começo do século XX, a maior parte das organizações iniciáticas se estruturou em torno ou a partir da Cabala, razão porque esta faz parte dos ensinamentos martinistas em nossos dias. Saint-Martin manteve um grupo informal onde discutiam questões místicas e filosóficas e há notícia de apenas uma iniciação.

Papus manteve em parte esta ideia, dividindo o Martinismo em três etapas com três iniciações, semelhante aos graus iniciais da maçonaria (há quem diga que eram quatro). Preservou as discussões e o caráter filosófico. Com estas referências, era natural pensar que o Martinismo se tratava de uma Ordem de acesso a outras organizações, como são os três graus iniciais da maçonaria. Em seu tempo, dentre outras Ordens, o Martinismo propiciava acesso à OKRC, de Guaita, com um formato acadêmico.

Em virtude das várias organizações martinistas atualmente existentes, não é possível afirmar que exista um padrão único de ensinamentos. Porém, todas são unânimes em afirmar que a TOM é a mais organizada e estruturada, com maior número de membros em todo mundo, graças ao patrocínio da AMORC. Hoje em dia, a TOM proporciona, através de seus manuscritos, grupos de estudos e discussões, um ambiente místico e filosófico importante não apenas para a construção de um Novo Homem, mas também para a renovação ou transformação da sociedade.

Maiores informações podem ser obtidas através do manuscrito de divulgação “Luz Martinista”, disponível no site oficial da AMORC.

Anúncios