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Homo orans

Você sabe orar?

Os místicos se preocupam em aprender a meditar mas se esquecem deste procedimento simples, básico, essencial e fundamental que é a oração. Numa inspiração súbita, partem em busca de aprender a orar e meditam. Mas seu problema é ficarem presos às teorias, esquecendo-se que a oração é um processo que dispensa o intelecto.

Mas o que é oração? Acima de tudo, é um encontro entre Deus e Homem.

A oração é totalmente relacional. Deus nos chama através de seu Filho, Jesus. A oração, porém, é obra do Espírito Santo, que precisa se instalar e preencher o ser humano para que a relação/comunicação possa se dar plenamente. Uma vida de oração significa estar habitual e constantemente na presença de Deus por intermédio de seu Filho.

Parece simples e é.

Infelizmente, muitas das orações são pedidos ou intercessões, como se Deus fosse uma espécie de hipermercado. Poucos se recordam que ele já nos cobriu de bênçãos, inclusive enviando seu Filho para nos redimir. Deus há muito já nos chamou, mas nem todos O escutam.

A oração é primariamente obra do Espírito Santo. Como ação, começa em Deus, age na mente e no coração do Homem e termina novamente em Deus. Em outras palavras, a oração é um mistério da graça.

A oração supõe um esforço, uma vez que se trata de um combate contra Saitan e seus seguidores (que existem para isso mesmo).

Uma vez que a chave é permitir que o Espírito Santo possa se instalar, é preciso preparar o “templo” adequadamente, com alicerces sólidos e com uma arquitetura adequada. Jesus ensinou que é preciso primeiro fugir das perturbações, apaziguar o espírito e então se aquietar, para que o Espírito Santo possa ocupar o seu lugar como deve.

O primeiro passo é o centramento, tornar-se absolutamente autoconsciente ao mesmo tempo que consciente da majestade de Sua Obra. Esta é a etapa que consome mais tempo em razão dos múltiplos obstáculos que vão surgindo para distrair a atenção.

Uma vez alcançado, é preciso perseguir a leveza de uma flor, com propósito e direção, que cresce em direção ao sol, fonte de sua existência. A flor o faz com todas as suas forças, pois sabe que desta atitude depende a sua vida.

Há dois sentidos opostos que devem ser conjugados nesta etapa: a eternidade da Criação e a fugacidade do que é por ela gerada. São dois extremos de tempo que coexistem no espaço.

Então é preciso apreender a unidade. Uma gota de chuva se entregando docilmente ao oceano, ambas feitas da mesma essência: água. Com o oceano, aprende-se ainda que a superfície pode até ser cheia de ondas, mas abaixo, nas profundezas, é tranquilo e cheio de vida. As ondas e a maré ensinam ainda sobre ritmo, inspirar e expirar, sobre o Pneuma de Deus.

Se chegou até aqui, deverá então aprender com os pássaros. Orar é cantar a felicidade da presença de Deus. Este tipo de canto só surge se você estiver feliz (talvez deixando vir à superfície a perfume da flor).

Kyrie Eleison

Um dos significados desta invocação é “Senhor, envia teu Espírito”.

Preenchido do Espírito Santo, é hora da ação (or+ação). É quando o eu morre, uma vez que tudo pertence a Deus. E a partir de então, através da fé Àquele que transcende o Universo, o Homem se torna um intercessor da salvação de todos os seres e de toda a Criação.

Homo orans: o ser humano que ora, se comunica com Deus através de seu Filho através dos “canais de comunicação” do Espírito Santo e intercede pela Criação.

Obras consultadas:
  • BECKHÄUSER, ALBERTO. Liturgia das Horas: Teologia e Espiritualidade.  Petrópolis, Vozes, 2010.
  • GRIESE, GERMAN SÁNCHEZ; GARCIA, MARCELA LOMBARDI; FERNÁNDEZ, JUAN PABLO LEDESMA. A oração do coração: Ao encontro do amor. São Paulo, Paulinas, 2011.
  • LELOUP, JEAN-YVES. Escritos sobre o Hesicasmo: Uma tradição contemporânea esquecida. Petrópolis, Vozes, 2003.
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Meditação do Pai Nosso

A oração do Pai Nosso encontra-se em Evangelho de Mateus 6:9-13 e assumiu, ao longo dos séculos, um caráter ecumênico.

Nascido no contexto judaico, esta oração auxiliou ao cristianismo distinguir-se da religião praticada nas sinagogas, criando assim uma identidade cristã. nos Evangelhos, não está bem claro que esta seja uma oração definitiva ou uma fórmula que antecede as orações, pois em nenhum momento é descrito que os Apóstolos usassem esta oração em particular.

Nenhuma oração deve ser recitada mecanicamente e a melhor maneira de assimilar seu conteúdo é meditando sobre ela. Tereza D’Ávila o fazia constantemente, bem como outros místicos cristãos e doutores da Igreja. Há várias associações inclusive com as passagem do Pai Nosso e as emanações sucessivas existentes na Árvore da Vida cabalística.

Entretanto, sugiro uma meditação simples. Tenha à mão um terço comum. Servirá para que possa contar o número de vezes em que o Pai Nosso foi recitado. Não tenha pressa, inspire e expire lentamente. Faça apenas quando tiver certeza de que não será incomodado(a) por um bom tempo. Incenso ou velas são dispensáveis, uma vez que o foco deve recair na sua comunhão com Deus através da oração.

Você deverá inspirar e expirar para cada frase do Pai Nosso. Observe que ao inspirar, você inala energia cósmica ou divina e, ao expirar, você exala primeiramente as suas toxinas e resíduos e, depois de purificado, compartilha as bençãos que recebe. Trata-se de uma oração legada por Jesus, mas que opera através do Espírito Santo, quando realizada como abaixo:

Inspirar: Pai Nosso
Expirar:
que estais no Céu.
Inspirar: 
Santificado
Expirar:
seja o Vosso Nome.
Inspirar:
Venha a nós
Expirar:
o Vosso Reino.
Inspirar:
Seja feita
Expirar:
a Vossa Vontade.
Inspirar:
Assim na Terra
Expirar:
como no Céu.
Inspirar:
O pão nosso de cada dia
Expirar:
nos dá hoje.
Inspirar:
Perdoai
Expirar:
as nossas ofensas.
Inspirar:
Assim como nós perdoamos
Expirar:
a quem nos tem ofendido.
Inspirar:
E não nos deixeis cair em tentação.
Expirar:
Mas livrai-nos do mal. Amém.

Durante uma semana, faça o terço completo uma vez ao dia, preferencialmente no mesmo horário. Na semana seguinte, adicione um novo horário de maneira a recitar o terço duas vezes ao dia. A partir da quarta semana, você deverá estar rezando o terço com o Pai Nosso quatro vezes ao dia.

Você notará que orar o pai Nosso desta forma o torna longo e é provável que você sinta alguma tontura no início. mas já na primeira semana, você terá benefícios notáveis, como clareza de ideias, melhores relacionamentos à sua volta, bem como, uma saúde mais harmônica. A partir da quarta semana, a conexão com os planos divinos é mais fácil e é possível que tenha alguns insights, inspirações e iluminações, que podem ocorrer tanto no estado de vigília como no de repouso. Também, o nível de consciência do que existe e ocorre à sua volta é bastante ampliado.

Sobre o Credo de Nicéia

O Credo Niceno-Constantinopolitano, ou o Ícone/Símbolo da Fé, é uma declaração de fé cristã que é aceito ao mesmo tempo pela Igreja Católica, Ortodoxa Oriental e Anglicana, bem como, pelas principais Igrejas Protestantes. Seu nome e origem vem do Primeiro Concílio de Niceia (325), no qual foi adaptado e, com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), onde foi aceita uma versão revista.

Por esse motivo, é referido especificamente como o Credo Niceno-Constantinopolitano para distingui-lo tanto da versão de 325 como de versões posteriores que incluem a cláusula filioque. Houve vários outros credos elaborados em reacção a doutrinas que apareceram posteriormente como heresias, mas este, na sua revisão de 381, foi o último em que as comunhões católica e ortodoxa conseguiram concordar em todos os pontos.

Particularmente, é o que adoto. Considero que esteja mais de acordo com a minha fé e as crenças que professo. É bom lembrar que não há nenhum valor em professar um “Credo” mecanicamente. As implicações de suas palavras devem ecoar em seu coração e reverberar em seu espírito, refletindo as suas verdadeiras crenças.

Segue o Credo:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai desde toda a eternidade, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por Ele todas as coisas foram feitas. Por nós e para nossa salvação, desceu dos céus; encarnou por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e fez-se verdadeiro homem. Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; sofreu a morte e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo, o Senhor, a fonte da vida que procede do Pai; com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Ele falou pelos profetas.

Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professamos um só baptismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir.

Amém.