Arquivos Mensais: fevereiro 2012

Pecado Original?

Desde os tempos do catecismo que me questiono sobre a doutrina do pecado original. Confesso que por mais que tenha lido a respeito, nunca compreendi como uma criança possa carregar a partir de seu nascimento uma culpa que remonta aos tempos bíblicos. Particularmente considerando que, para a Igreja, não existe a reencarnação.

Se a reencarnação fosse levada em conta, há como dizer que a Alma que ocupa o corpo daquele bebê carrega as culpas de vidas anteriores. Mas A Igreja aposta na “ressurreição da carne”, como dito em seu Credo, embora Paulo faça alusões à reencarnação da Alma (ou do Espírito).

Primeiramente é preciso considerar que as duas Criações relatadas em Gênesis 1 e 2 foram escritas em ocasiões diferentes, Gênesis 2 é anterior e corresponde a um período em que o povo judeu era nômade e vivia no campo, por isso é que se trata de uma visão mais mitologicamente elaborada e muito menos simbólica que a descrita em Gênesis 1, conforme nos ensina Gerhard Von Rad.

A clássica estória conta que Deus deixou o Éden para que fosse administrada e cuidada por Adão e Eva, com vários privilégios e que com uma única condição: que não tomassem do fruto de duas árvores que lá haviam. Contudo, uma serpente ardilosa tentou Eva com o fruto de uma das árvores, a do conhecimento do bem e do mal. Como sabemos, depois de experimentar, foi levar para Adão, que (segundo a Bíblia) relutou para experimentar a tal da maçã.

Bem, eles perceberam que estavam nus, acabando por serem expulsos do Paraíso antes que experimentassem do fruto da outra árvore.

Os gnósticos são os precursores dos psicólogos e tem uma versão mais interessante deste episódio. Mas primeiro, é preciso lembrar que a serpente também aparece no caduceu de Hermes, associada ao conhecimento. Sob esta ótica, foram tentados não por um enviado de Saitan (opositor, adversário), mas sim pela própria busca de si mesmos, uma vez que se deram conta de sua verdadeira condição (nus). No entanto, o preço que pagaram foi a capacidade (ou a necessidade) de fazer escolhas, opções e emitir julgamentos.

Esta é a origem do pecado original. Se eles se mantivessem ignorantes e aceitassem as coisas como elas são, talvez ainda estivessem no Paraíso. Adão e Eva personificam dois tipos de busca: o primeiro representa a busca lógica e racional, enquanto Eva corresponde ao aspecto intuitivo e irracional que, na maior parte das vezes, leva ao insight que diferencia um raciocínio comum de um original.

Porém, graças a este episódio, inúmeras injustiças foram cometidas à mulher, consideradas inferiores porque culpadas pela expulsão do Éden.

Quando Eva provoca Adão com a maçã, estimula-o com possibilidades e opções fora dos padrões oferecidos por Deus. De certa maneira, se Deus é mesmo onisciente, ele deveria saber que, em algum momento, Adão e Eva provariam do fruto daquela árvore. Mesmo assim, nada justifica o tal do pecado original.

A expulsão do Paraíso representa o fardo de tomar decisões, antes desnecessárias porque, em sua pureza e inocência, não precisavam se preocupar com nada para sua existência.

Bem, pode-se ainda dizer que se trata de uma questão de fé… Ainda assim, a fé não pode ser uma desculpa para tudo o que desafia a lógica simples ou para a qual não é possível obter uma explicação comum.

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Meditação do Pai Nosso

A oração do Pai Nosso encontra-se em Evangelho de Mateus 6:9-13 e assumiu, ao longo dos séculos, um caráter ecumênico.

Nascido no contexto judaico, esta oração auxiliou ao cristianismo distinguir-se da religião praticada nas sinagogas, criando assim uma identidade cristã. nos Evangelhos, não está bem claro que esta seja uma oração definitiva ou uma fórmula que antecede as orações, pois em nenhum momento é descrito que os Apóstolos usassem esta oração em particular.

Nenhuma oração deve ser recitada mecanicamente e a melhor maneira de assimilar seu conteúdo é meditando sobre ela. Tereza D’Ávila o fazia constantemente, bem como outros místicos cristãos e doutores da Igreja. Há várias associações inclusive com as passagem do Pai Nosso e as emanações sucessivas existentes na Árvore da Vida cabalística.

Entretanto, sugiro uma meditação simples. Tenha à mão um terço comum. Servirá para que possa contar o número de vezes em que o Pai Nosso foi recitado. Não tenha pressa, inspire e expire lentamente. Faça apenas quando tiver certeza de que não será incomodado(a) por um bom tempo. Incenso ou velas são dispensáveis, uma vez que o foco deve recair na sua comunhão com Deus através da oração.

Você deverá inspirar e expirar para cada frase do Pai Nosso. Observe que ao inspirar, você inala energia cósmica ou divina e, ao expirar, você exala primeiramente as suas toxinas e resíduos e, depois de purificado, compartilha as bençãos que recebe. Trata-se de uma oração legada por Jesus, mas que opera através do Espírito Santo, quando realizada como abaixo:

Inspirar: Pai Nosso
Expirar:
que estais no Céu.
Inspirar: 
Santificado
Expirar:
seja o Vosso Nome.
Inspirar:
Venha a nós
Expirar:
o Vosso Reino.
Inspirar:
Seja feita
Expirar:
a Vossa Vontade.
Inspirar:
Assim na Terra
Expirar:
como no Céu.
Inspirar:
O pão nosso de cada dia
Expirar:
nos dá hoje.
Inspirar:
Perdoai
Expirar:
as nossas ofensas.
Inspirar:
Assim como nós perdoamos
Expirar:
a quem nos tem ofendido.
Inspirar:
E não nos deixeis cair em tentação.
Expirar:
Mas livrai-nos do mal. Amém.

Durante uma semana, faça o terço completo uma vez ao dia, preferencialmente no mesmo horário. Na semana seguinte, adicione um novo horário de maneira a recitar o terço duas vezes ao dia. A partir da quarta semana, você deverá estar rezando o terço com o Pai Nosso quatro vezes ao dia.

Você notará que orar o pai Nosso desta forma o torna longo e é provável que você sinta alguma tontura no início. mas já na primeira semana, você terá benefícios notáveis, como clareza de ideias, melhores relacionamentos à sua volta, bem como, uma saúde mais harmônica. A partir da quarta semana, a conexão com os planos divinos é mais fácil e é possível que tenha alguns insights, inspirações e iluminações, que podem ocorrer tanto no estado de vigília como no de repouso. Também, o nível de consciência do que existe e ocorre à sua volta é bastante ampliado.

Sobre o Credo de Nicéia

O Credo Niceno-Constantinopolitano, ou o Ícone/Símbolo da Fé, é uma declaração de fé cristã que é aceito ao mesmo tempo pela Igreja Católica, Ortodoxa Oriental e Anglicana, bem como, pelas principais Igrejas Protestantes. Seu nome e origem vem do Primeiro Concílio de Niceia (325), no qual foi adaptado e, com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), onde foi aceita uma versão revista.

Por esse motivo, é referido especificamente como o Credo Niceno-Constantinopolitano para distingui-lo tanto da versão de 325 como de versões posteriores que incluem a cláusula filioque. Houve vários outros credos elaborados em reacção a doutrinas que apareceram posteriormente como heresias, mas este, na sua revisão de 381, foi o último em que as comunhões católica e ortodoxa conseguiram concordar em todos os pontos.

Particularmente, é o que adoto. Considero que esteja mais de acordo com a minha fé e as crenças que professo. É bom lembrar que não há nenhum valor em professar um “Credo” mecanicamente. As implicações de suas palavras devem ecoar em seu coração e reverberar em seu espírito, refletindo as suas verdadeiras crenças.

Segue o Credo:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai desde toda a eternidade, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por Ele todas as coisas foram feitas. Por nós e para nossa salvação, desceu dos céus; encarnou por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e fez-se verdadeiro homem. Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; sofreu a morte e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo, o Senhor, a fonte da vida que procede do Pai; com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Ele falou pelos profetas.

Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professamos um só baptismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir.

Amém.